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quinta-feira, 27 de agosto de 2020
Actor de Golpe de Sorte fala acerca do seu último Trabalho e da forma como tem vivido a Pandemia Covid-19!
Ricardo Pereira volta ao Trabalho com o Filme Golpe de Sorte!
Após algum tempo dos Ecrãs quer do Cinema, das Salas de Teatro e da Televisão devido á grave Pandemia Covid-19, que tem levado á Morte inúmeras Pessoas e feito outros tantos Feridos quer de forma grave os quais em parte acabam por não conseguir sobreviver devido á Doença Pandémica que já Milhares de Mortos e Feridos, naquela que supostamente será a sua Primeira Entrevista a um Órgão de Comunicação Social neste caso á Revista Nova Gente o quanto o Confinamento Social devido á Doença o levou a ter que tomar algumas decisões que fossem benéficas para a sua Vida e a da sua Família em especial a dos Filhos bem como para o Pais que o acolheu desde há alguns anos a esta parte enquanto Emigrante, o Brasil, que como muito bem sabemos nesta fase da sua História tem infelizmente uma das maiores Taxas Marcantes quer em relação ao Casos de Contágios bem como os de Mortes derivados do Covid-19.
Eunice Gaspar:- Este filme é sobre a imprevisibilidade da vida, através da história de quatro amigos. Quem é o Ricardo em Golpe de Sol?
Ricardo Pereira: Sou o Vasco. Este filme tem um quinto elemento, o David, que, esse sim, tem uma história com todos. Os restantes achavam que, cada um, tinha arrumado a sua história ao seu jeito, mas só porque não viam este amigo comum há dez anos. É a história de quatro amigos bem-sucedidos que passam a vida toda juntos, cada um com histórias pesadas. O Vasco é uma pessoa que nunca foi, de facto, quem é, porque acha que não pode ser ele mesmo, com relações amorosas e escondidas. Uma pessoa que nunca se mostrou na sua plenitude. Isso, obviamente, deixa marcas. Os outros amigos também têm as suas histórias. No grupo, uma mulher que quer ser mãe ainda não o foi e acha que a idade certa para o ser está a passar. O Francisco é um homem que acha que perdeu a vida lá atrás, quando este quinto elemento o deixou ou não quis nada com ele. O Simão, que está mais desequilibrado, decide escrever uma história na qual conta um pouquinho da vida deles todos... portanto, um enredo de amigos que, afinal, têm muita coisa para resolver. Não tanto uns com os outros, mas bastava um rastilho acender para se perceber que há muita coisa que não estava explicada entre eles. É um filme muito humano e que espelha o que são as relações, independentemente de serem afectuosas, amorosas, entre o mesmo sexo ou de sexos diferentes. É um filme sobre relações humanas.
Eunice Gaspar:- Prevê-se que os tempos futuros sejam incertos...
Ricardo Pereira: - Isso preocupa-me. Os espaços culturais foram dos primeiros a fechar e dos últimos a abrir, dai o reforço da mensagem de voltarmos ao cinema. Quando se fala de cultura, fala-se de música, teatro, espectáculos que têm de regressar, filmagens, gravações... todo um sector. Espero que haja o cuidado de este receber apoio na medida certa. Mas, mais do que isso, olho para a sociedade como um todo. Todos os outros sectores estão também a ser afectados. Esta pandemia preocupa-nos a todos e muito. Em primeiro lugar, e obviamente, a doença e os efeitos do contágio do vírus, mas, além disso, há o depois- as coisas invisíveis, como a doença mental, a solidão, as consequências económicas.
Eunice Gaspar:- Descobriu alguma coisa sobre si durante estes tempos em que vivemos confinados?
Ricardo Pereira:- Tivemos todos muito tempo para pensar. Foi intenso. A vida, hoje em dia, é uma coisa muito rápida e acho que todos temos noção disso. Há sempre muitas solicitação, exigência profissional e a vida não espera, acontece muito depressa. Eu já vinha, de há uns anos para cá, a olhar mais para mim próprio a nível de cuidados, que quero ter com a minha saúde física, com o tempo que quero ter para mim e para a minha família, com o respirar de outra forma... Ter cuidados alimentares, fazer desporto, ter equilíbrios na vida. Ter uma saúde mental mais equilibrada, dosear o trabalho- embora eu ame o que faço, sou workaholic- mas, acho que dá para equilibrar isto. Este confinamento deu para fazer este exercício, e juntos fizemos uma retrospectiva do que foi a vida até agora. Deu para fazermos uma viagem juntos, com calma, sobre as escolhas que fizemos, se foi bom, interessante, se não o foi... Se teríamos feito as mesmas escolhas, como casal ou individualmente... Estas coisas todas fizeram-me pensar e acho que vão ser também motores, ou cliques, para decisões futuras. Foi uma boa viagem. Obviamente, passámos por momentos de muita ansiedade, de dúvidas sobre o que está a acontecer no Mundo, momentos a tentar explicar aos filhos o que está a viver-se, a acompanhar o resto do ano escolar deles...
Eunice Gaspar:- Foi difícil, sendo eles de anos diferentes, acompanhar o processo escolar?
Ricardo Pereira: Foi dificílimo. Somos pai ou mãe, não somos professores. É outra relação. É outra relação. Mas são desafios.
Eunice Gaspar:- Quando a pandemia começou ainda estava com a família no Brasil?
Ricardo Pereira: - Eu tinha previsto vir passar a Páscoa em Portugal, com a família. A minha última novela lá, a Éramos Seis, acabou no dia 13 de Março. Quando passou a pandemia, optámos por ficar.
Eunice Gaspar:- Além disso, ambos têm cá a família?
Ricardo Pereira:- Sim, foi uma grande razão. Tenho cá os meus pais e sou filho único. Eles já têm mais de 60 anos e, se fosse preciso alguma coisa, como eles moram perto de mim, era mais fácil prestar ajuda, tal como também aos meus sogros.
Eunice Gaspar:- Teve receio de não conseguir voltar para cá, caso acontecesse alguma coisa?
Ricardo Pereira: - Na altura, não, ainda não havia a ideia de fechar as portas. Quando sai do Brasil, o país tinha um número pequeno de infectados.
Eunice Gaspar:- Mas agora é dos mais preocupantes.
Ricardo Pereira:- Sim, proliferou muito e aquilo também é um país enorme, avançou muito. Quando olho para o Brasil, olho com apreensão. Como deve imaginar, o Brasil também é o meu país. Os meus filhos são brasileiros, eu constituí família lá. Sou português, Portugal é a minha pátria, mas tenho muitos anos de história lá. Olho para o Brasil com ansiedade, apreensão e expectativa de que as coisas melhorem.
Eunice Gaspar: - Se não soubesse que não gosta de falar publicamente de politica, perguntava-lhe como avalia a prestação do Presidente Bolsonaro perante o que se está a passar. Ou a de Trump, nos EUA.
Ricardo Pereira: - É exactamente o que disse, não gosto e não devo. Previno o risco de ser mal interpretado. Gosto muito de falar de politica, mas em círculos fechados. Obviamente, devemos ter um olhar inteligente e dar a devida importância àquilo que está a acontecer.
Eunice Gaspar: - E as férias? Já teve a oportunidade de descansar no Algarve.
Ricardo Pereira: - Sim. Aproveitei o desconfinamento. Senti que os meus filhos precisavam de natureza e eu também! Em agosto, em princípio, vou andar por ai, por Portugal, a descansar e, às vezes, sem rumo. Vamos com a família, sem ter agenda nem horários. Se me perguntar para onde, não sei. Quantos dias em cada dia? Não faço ideia. Não me apetece ter agenda. Foi um ano de muito trabalho, com projectos importantes, um ano diferente por causa da Covid-19, que também nos obrigou a uma outra agenda: dentro de casa, rotinas, aulas... isso tudo. Quero estar num lugar sem ter hora para jantar, comer uma sandes ou petiscar, ver o pôr-do-sol. Ver os miúdos brincar e deixá-los estar. Desligar e desfrutar da Natureza, dos meus filhos, da Natureza.
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